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Processos, costumes, leis. Como são as regras que norteiam a forma como uma organização é administrada.

Florianópolis, 11 de dezembro de 2018
Publicado originalmente no LinkedIn Pulse e Medium



Vivemos num mundo cada dia mais complexo e simples. Sim, parece controverso mesmo e era para ser assim. Complexo porque apesar das muitas facilidades que a tecnologia tem nos proporcionado dia após dia, também nos traz uma infinidade de situações novas e que devemos dominar com extrema rapidez, quase como se fosse possível apenas baixar um pacote de atualizações, descompactar e instalar em nosso cérebro ao clique de um “botão mental”. Quem sabe a neurociência nos ajude nisso em um futuro não tão distante assim!

Atuando como consultor de comunicação, acabei me interessando por cuidar das pequenas empresas, porque sempre me pareceu uma zona do mercado meio ‘negligenciada’, deixada de lado, um grande mar de oportunidade para quem está disposto a olhar a necessidade daquele pequeno empresário que por mero desconhecimento das oportunidades e também dos problemas que pode ter, simplesmente ignora termos técnicos demais para quem atua em nichos específicos e naturalmente segmentados. Sim, algum ‘especialista’ pode dizer que segmentação de mercado é uma decisão e que se define no business plan (plano de negócios). Sempre tem alguém que gosta de falar difícil para impressionar! Mas em alguns negócios a segmentação está ali, na porta da empresa, não tem como inventar a roda. A verdade é que se o assunto fica “técnico demais” o micro/pequeno empresário fica visivelmente desconfortável. E com toda razão! Errado está quem não aceita descer do seu pedestal para falar a mesma língua, onde as pessoas não se comunicam em KPIs mas sim em bom português. Talvez o meu lado ‘psicólogo’ me forneça as habilidades para notar as pessoas e suas dificuldades e anseios que outros profissionais não tenham a sorte e competência para observar. Como parafraseado o famoso ditado popular na campanha do Santander por seu mais novo ‘garoto’ propaganda Rick Prospera — é fazer do limão uma limonada na campanha. — Pegou a visão?

O fato é que na realidade de micro e pequena empresa tipicamente tupiniquim, business plan, compliance, benchmarking, Kanban ou governaça corporativa significam absolutamente nada. Geralmente o negócio é avaliado apenas pelo volume de dinheiro que entra em caixa ou pela quantidade de clientes que são atendidos por dia, semana ou mês. No ‘chão de fábrica’ não costuma ter muito espaço para “teoria”, qualquer que seja o negócio — loja, restaurante, consultório, escritório, etc.

Mas afinal, o que é de fato essa tal de governança corporativa?

Governança corporativa é o conjunto de processos, costumes e leis que norteiam a forma como uma organização é administrada.

Basicamente ela existe, essencialmente, para equilibrar os interesses das diversas partes interessadas de uma empresa, como administradores, acionistas, clientes, fornecedores, financiadores, governo e a comunidade. Como a governança corporativa também fornece a estrutura para atingir os objetivos da empresa, ela abrange praticamente todos os aspectos da administração, desde os planos de ação e controles internos até a mensuração do desempenho e divulgação corporativa.

Ah Fábio, eu continuo não entendendo patavinas sobre essa governança corporativa.

Lembra que há alguns anos, em 2015, a Volkswagen se envolveu num grande escândalo porque manipulava testes de emissões de motores nos EUA e na Europa? As ações da empresa perderam quase metade de seu valor nos dias seguintes e as vendas globais no primeiro mês completo após a notícia caíram 4,5%.

A má governança corporativa, ou a falta dela, lança dúvida sobre a confiabilidade, de uma empresa e a tolerância a atividades ilegais pode levar a companhia ao colapso como Enron e a WorldCom devido a fraude contábil. Mas nós também temos nosso bom mal exemplo por aqui, é só analisar Petrobras, Odebrecht, Governo Brasileiro e Operação Lava Jato, que começou a partir da investigação em um posto de combustíveis, ou seja, uma microempresa.

Por isso que um bom conjunto de regras e controles transparente tende a criar nos acionistas, conselheiros e diretores uma sensação de confiança, pois a empresa tem uma boa governança corporativa, alinhando incentivos e se esforçando para ter um alto nível de qualidade nas informações, uma vez que para muitos acionistas, não basta que uma empresa seja apenas lucrativa; também precisa demonstrar uma boa cidadania por meio da conscientização ambiental, comportamento ético e boas práticas de governança corporativa.

A estrutura corporativa é composta por acionistas, um conselho de administração, diretor corporativo ou CEO ou uma equipe contratada pelo conselho de administração.

Maravilha! Só que nas pequenas empresas, na grande maioria dos casos o acionista, a diretoria e CEO é a mesma pessoa. Mesmo quando existem vários acionistas e membros do conselho, o grupo geralmente é menor e isso torna muito mais fácil de alinhar as metas da organização, de seu executivo e dos acionistas.

Mesmo assim, as pequenas empresas podem usar a estrutura de governança corporativa para maximizar o valor real do negócio para o pequeno empresário e reforçar a importância de seus Objetivos, Estratégia, Planejamento (Táticas) e Execução.

Realmente a governança corporativa é muito associada a grandes empresas de capital aberto, mas uma estrutura de governança corporativa também pode ser aplicada em empresas menores, ela não discrimina o tamanho da empresa. Isso significa que aderir aos princípios de governança corporativa é tão importante para um grande produtor de petróleo e gás natural quanto para o proprietário de um mercadinho de bairro, um restaurante, uma oficina ou até mesmo um pequeno empreiteiro ou um médico. Existem elementos importantes de qualquer boa estrutura de governança corporativa e como ponto de partida, o pequeno empresário deve ter um sistema bem documentado de políticas, procedimentos e processos da empresa. E a vantagem é que são todos simples de escrever e implementar na cultura da empresa a partir do que já se está fazendo. Essa política vai definir a posição da empresa em vários assuntos e fornece diretrizes, estabelecendo as regras para questões como álcool e drogas no local de trabalho, uso da internet, comportamento dos colaboradores, etc. Estes procedimentos envolvem um guia passo a passo para alcançar algum resultado (por exemplo, procedimento para operar equipamentos pesados ​​ou solicitar licença), enquanto processos são sistemas para alcançar um resultado.

Essa documentação garante que o pequeno negócio possa ser administrado sem problemas por muito tempo no futuro; dará aos funcionários uma noção clara de como se comportar no ambiente profissional e garante que o negócio não dependerá apenas do proprietário, entre outras coisas. Um bom planejamento dessas diretrizes também pode ajudar as pequenas empresas a se adaptar a mudanças abruptas, como novas legislações que surgem da noite para o dia, coisa bem comum no Brasil e poderá aproveitar oportunidades e mitigar ameaças como as oscilações taxa de juros, disparadas repentinas no câmbio (nem tão imprevisíveis assim) causando um aumento significativo no preço dos principais insumos, ou mesmo a perda de clientes. Já imaginou?

Estando bem definida, a política de gerenciamento de risco fornecerá as respostas corretas, uma vez que a estrutura de governança corporativa também envolve a documentação da estratégia de negócios da empresa. Fornecendo orientação para as pequenas empresas durante um período de tempo que pode ser de três a cinco anos, por exemplo. Define os objetivos do negócio e mapeia como eles serão alcançados.

Finalizando, com a governança corporativa, além de fornecer as métricas da empresa, pode ser útil para gerar um bom relatório de desempenho que inclui outros aspectos, como a produção da empresa, a taxa de rotatividade de estoque e de pessoal, o número de dias sem acidentes e o número de novos clientes. Outra vantagem de adotar boas práticas é que ao solicitar financiamento, as instituições financeiras também exigem que as empresas enviem relatórios de desempenho. Ao mesmo tempo, os relatórios da empresa funcionam como uma forma de marketing para uma pequena empresa, informando aos principais interessados o desempenho da empresa. Resumindo, aderindo aos princípios de governança corporativa sua pequena empresa também vai fornecer verificações e balanços úteis para os pequenos negócios; ajudará a garantir contratos; é uma ferramenta contra a fraude e a corrupção; permite o controle de qualidade e reduz o risco de perder dinheiro; melhora a eficiência e promove a sustentabilidade nas operações de negócios à medida que o tamanho da empresa aumenta. Sim, a sua pequena empresa pode crescer a partir da criação de um bom projeto de governança corporativa. Desenvolver uma estrutura de governança corporativa é uma tarefa simples que pode ser realizada pelo proprietário da empresa ou por um grupo de consultores. Promovendo a transparência e a eficiência, um empresário sábio garantirá que a estrutura seja bem comunicada e bem compreendida por todos os funcionários e outras partes interessadas relevantes.

Fábio Lanes

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